sexta-feira, 1 de abril de 2016

Eclodo.
Subitamente percebo a vida em mim.
Da escuridão convidativa e do calor.
Percebo a luz e toda a dor de ser ofuscado
Sinto minha insignificância de um mundo tão grande e assustador.

Nada entendo, me alimento e cresço.
Atordoado, sou só magoa e dor.
Não caibo em mim mesmo.
Sinto minha pele rasgando com as dores deste crescimento.
Incompreendido sigo.

Cada dia mais isolado, me volto para minha própria dor.
Introverto, rejeito o mundo ao meu redor.
Abraço a mim mesmo, buscando o calor de outrora
Que me fora negado.
Não caibo em mim mesmo.

Me sinto enrijecendo.
Meus movimentos cada vez menos fluidos.
A dor incessante da existencia me paralisa
O corpo frio e a fome me fazem devorar a mim mesmo
Não caibo em mim mesmo

Digerindo minhas próprias fibras
Meus músculos, meu âmago
Regurgito minhas próprias asas.
Da autofagia me transformo, me renovo.
E a existência assim transformo

Rasgo a pele, rasgo a crosta
Cresço mais do que posso
De minhas entranhas surge a cor
De minhas costas brotam as asas
Não caibo em mim mesmo

Sinto novamente a luz me ofuscando
As dores do crescimento e do nascer
Me liberto, fujo de mim mesmo.
Escapo de minha dor voando
Agora renovado abro os olhos e me descubro

Sinto o frescor do vento em meu rosto
Me libertando de tudo aquilo que se foi
Hoje eu, lagarta
Sou eu, borboleta
sem amarras, ainda sem nada compreender
não caibo em mim mesmo

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