Um ano depois cá retornamos.
Ninguém ainda descobriu esse santuário de palavras.
Escrevo destemido o que jaz em minhas entranhas.
Ainda naquela tola esperança de quem lança uma garrafa ao mar com um bilhetinho dentro.
Relendo estes textos pela primeira vez em um ano percebo que algumas coisas mudaram.
Outras nem tanto.
Esse frio na barriga todos os dias, esse medo que tenta me paralisar.
Me impedir de ser uma pessoa funcional.
Hoje eu percebo que apesar desse medo e desse frio, eu consigo.
Essa dor, que só eu entendo, não é o suficiente pra me parar.
Dolorido, quebrado, destroçado eu ando. Tento.
Novas feridas, andando todos os dias na corda bamba.
Mas tento.
Faço o mais difícil, quase sempre.
Saio da cama.
Entro no carro.
Trabalho.
Estudo.
Tento.
Procuro a minha felicidade.
Tento ajudar aqueles que posso.
Mesmo destruído.
Insuficiente, inadequado.
Mas sou eu.
Devo seguir.